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Medicina do Trabalho

Riscos Profissionais Associados à Actividade de Cabeleireiro

2011-05-20 13:01

A actividade de cabeleireiro, tal como qualquer outra, engloba um conjunto de factores de risco que poderão condicionar a segurança e o bem-estar dos profissionais que a desempenham, sendo necessária a implementação de medidas que reduzam tanto o risco de acidentes de trabalho como de doenças profissionais e promovam uma melhoria na qualidade do serviço prestado, com ganho de produtividade para o empregador.

Riscos Químicos

Consoante as características da actividade realizada num salão de cabeleireiro, poderão ser utilizados inúmeros produtos cosméticos, os quais, por sua vez, são compostos por diversas substâncias que podem provocar patologias cutâneas (dermatoses) e respiratórias, bem como certos riscos do foro canceroso e mutagénico.

Numa perspectiva de prevenção, é importante dar prioridade, sempre que possível, aos produtos menos perigosos e à respectiva utilização nas quantidades estritamente necessárias.

As embalagens destas substâncias devem ser colocadas, quando vazias, em contentores adequados e com características estanques.

Sempre que as operações a executar o permitam, é indispensável a utilização de luvas adequadas para evitar a exposição cutânea, o que, em qualquer dos casos, nunca dispensa uma boa higiene das mãos.

A zona pré-destinada ao armazenamento de substâncias perigosas deve estar dotada de ventilação adequada, e de outros requisitos que eventualmente sejam considerados necessários nas respectivas fichas de segurança, como por exemplo, sinalização de proibido fumar ou foguear, substâncias inflamáveis, etc.

Ruído e Vibrações

Além de perda de audição, a exposição ao ruído pode ser uma causa de stress e fadiga para o trabalhador. Os níveis de ruído produzidos por alguns dos equipamentos utilizados nos cabeleireiros (nomeadamente, os secadores de cabelo) não são suficientes para originarem perda de audição. Contudo, podem constituir uma forte fonte de stress e incomodidade.
 
Outros equipamentos, tais como os massajadores e limas eléctricas, emitem vibrações que, a longo prazo, poderão originar o aparecimento de doenças, tais como o Síndrome do Túnel Cárpico (caracteriza-se pela ocorrência de formigueiros e/ ou dores a nível do pulso, indicador ou polegar, embora possa atingir todos os dedos) e a Doença de Raynaud (caracteriza-se por uma vasoconstrição que provoca formigueiros, uma sensação de frio, dores e palidez das mãos, por vezes seguida de cianose).

Riscos Mecânicos

Algumas das tarefas desenvolvidas nos cabeleireiros podem ser extremamente exigentes em termos físicos, sendo responsáveis pela ocorrência de lesões músculo-esqueléticas, sobretudo ao nível cervical, dos ombros e pulsos, geralmente devidas a posturas incorrectas e ao trabalho de pé, que chega a ocupar mais de dois terços do tempo normal de laboração.

A prevenção de todos estes riscos passa pela organização do trabalho, isto é, pela rotação de tarefas entre os diversos profissionais, de modo a evitar que tenham de trabalhar, durante longos períodos, nas mesmas posições.

O mobiliário (como a cadeira dos clientes, o banco de corte e outros equipamentos), deve ser regulável e disposto de forma a prever espaço útil suficiente que permita a cada profissional adoptar posturas de trabalho correctas.

Radiações

 

As medidas preventivas a adoptar passam pela realização das actividades que envolvem  tratamentos Ultra-Violeta e a laser em salas adequadas, que evitem a exposição acidental à radiação.

Os profissionais devem ter formação adequada relativamente aos efeitos sobre a saúde da exposição a radiações e da utilização segura dos equipamentos de trabalho.

Risco Biológico

Embora se trate de um risco de baixo nível, o certo é que os profissionais dos salões de cabeleireiro podem estar em contacto com clientes portadores de doenças contagiosas, como a sida, a hepatite B ou outras afecções susceptíveis de afectar a sua saúde e a de outras pessoas que venham a utilizar os serviços do salão.

Para prevenir tais riscos, impõe-se a desinfecção de todos os instrumentos utilizados no salão, devendo recorrer-se para tal a produtos e procedimentos adequados.

Sempre que possível deverão estar disponíveis dois jogos de instrumentos por cadeira de cliente, de modo a que, enquanto um esteja em desinfecção, o outro possa ser utilizado.

Os salões de cabeleireiro são frequentados com vista ao alcance da beleza e bem-estar, contudo, se os profissionais não se sentirem confortáveis e seguros, a sua eficácia irá diminuir em proporção directa com a satisfação do cliente.

Elisabete Afonso (TSST)