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Medicina do Trabalho

Radioactividade: Saiba o Que é e Como se Proteger em Situação de Perigo

2011-03-29 13:19

Na sequência das notícias alarmantes que abordam o acidente na Central Nuclear em Fukushima (Japão), surgem algumas preocupações e questões relativas às consequências que um possível acidente radioactivo poderá trazer para a população em geral. Neste sentido, consideramos pertinente esclarecer os nossos clientes, parceiros e colaboradores sobre os conceitos inerentes à radioactividade, bem como respectivas consequências para a saúde e medidas de autoprotecção a adoptar em caso de emergência.

 O Que é a Radioactividade?

Na Natureza existem 92 elementos, podendo cada um deles diferir no número de protões e neutrões. A combinação destas duas partículas vai determinar o grau de estabilidade do núcleo de cada elemento. Quando o núcleo é instável, emite energia na forma de ondas electromagnéticas, ou partículas, até atingir a estabilidade. Esta emissão de energia pelo núcleo denomina-se Radiação Nuclear. Existem vários tipos de emissões radioactivas que dependem da velocidade, da forma como são afectadas por um campo magnético e da capacidade de penetrar na matéria:

  • Radiação Alfa: É uma partícula formada por um átomo de hélio com carga positiva. O seu alcance é muito pequeno, o que faz com que seja facilmente blindada. Em geral, estas partículas não conseguem ultrapassar as camadas externas de células mortas da pele, sendo praticamente inofensivas. Ocasionalmente, podem penetrar no organismo através de um ferimento, provocando, nesse caso lesões graves.
  • Radiação Beta: Tem maior penetração que as partículas alfa, pois as velocidades atingidas são 100 vezes superiores. A exposição a emissores beta (como ocorre nos casos de diagnóstico e terapêutica) produz efeitos mais extensos.
  • Radiação Gama: É uma onda electromagnética, emitindo continuamente calor e com capacidade de ionizar o ar, tornando-o condutor de corrente eléctrica. Tem uma elevada capacidade de penetração, o que lhe permite atravessar alguns cm em placas de chumbo. Devido à sua elevada energia, pode causar danos no núcleo das células, sendo por isso usada na esterilização de equipamentos médicos e alimentos.

Onde é Utilizada a Radioactividade?

Medicina: As radiações emitidas por isótopos radioactivos podem ser usadas como meio de diagnóstico de diversas doenças ou como meio terapêutico na destruição de tumores. As doses de radiação utilizadas são calculadas de forma a destruir os tecidos dos tumores, provocando o mínimo de danos possível nos tecidos que os rodeiam. Os radioisótopos podem também ser usados na esterilização de seringas, agulhas, próteses, etc.

Arqueologia e Geologia: A radioactividade natural é utilizada para a datação de rochas e fósseis (determinando as proporções entre a quantidade de urânio-238 e chumbo-206).

Industria: Os isótopos radioactivos são usados para detectar defeitos nas peças metálicas produzidas. O processo é idêntico às radiografias obtidas por raios-X. A radiação gama é também utilizada na esterilização de produtos alimentares, para medir espessuras de papel, objectos de metal, etc.

Produção de Energia: É possível produzir grandes quantidades de energia através de reacções nucleares. O calor produzido é usado para a produção de energia eléctrica de forma idêntica ao que acontece nas centrais termoeléctricas. A grande diferença é que se produzem grandes quantidades de energia com pequenas quantidades de isótopos radioactivos.

 Quais os Efeitos da Exposição à Radiação?

Os efeitos prejudiciais da radiação dependem da quantidade (dose), da duração e do grau de exposição. Uma única dose rápida de radiação pode ser fatal, mas a mesma dose total aplicada ao longo de semanas ou meses pode produzir efeitos mínimos. Existem basicamente dois tipos de lesões relacionadas com a exposição à radioactividade: a lesão aguda ou imediata e a lesão crónica ou tardia (veja aqui).

Os principais sintomas da Exposição Aguda são:

  • Síndrome Cerebral: Ocorre quando a dose de radiação é extremamente alta, causando uma grave inflamação cerebral, seguida de morte;
  • Síndrome Gastrointestinal: Altas doses de radiação originam a morte das células que revestem o trato gastrointestinal, gerando hemorragias, diarreias graves e desidratação intensa.
  • Síndrome Hematopoiética: Afecta directamente a medula óssea, o baço e os gânglios linfáticos. É extremamente grave, pois atinge a produção de novos glóbulos brancos e vermelhos para o sangue. Pode matar, dependendo do grau e do tempo de exposição à radioactividade.

 

Os principais sintomas da Exposição Crónica à radiação são:

  • Amenorreia (interrupção da menstruação);
  • Redução da fertilidade em homens e mulheres;
  • Catarata;
  • Anemia (redução da quantidade de eritrócitos);
  • Leucopenia (redução da quantidade de leucócitos);
  • Trombocitopenia (redução da quantidade de plaquetas);
  • Perda de cabelo, descamação da pele e formação de úlceras, calos e inflamações vasculares;
  • Cancro da pele e Cancro da tiróide;
  • Tumores ósseos;
  • Leucemia;
  • Anomalias congénitas em fetos, decorrentes da lesão nos órgãos sexuais dos pais.

Quais as Medidas de Protecção em Situação de Perigo de Exposição Radioactiva?

Localização das Centrais Nucleares na Península Ibérica

Em Portugal não existem centrais nucleares para produção de energia eléctrica, pelo que não existe o risco de ocorrer um acidente nuclear com graves consequências. No entanto, a existência de centrais nucleares no resto da Europa e em particular em Espanha, bem como aplicações radiológicas na medicina, indústria e investigação científica, são factos que levam à existência de medidas de prevenção e protecção, nomeadamente:

  • Dirija-se para casa ou para qualquer outro local construído em cimento, pedra ou tijolo: A dose de radiação recebida no interior de uma casa é nitidamente inferior à da rua. No entanto, deve-se verificar se os ventiladores e o ar condicionado estão desligados e se as portas e janelas estão fechadas. As caves oferecem uma protecção bastante eficaz.
  • Desligue a chama dos aparelhos de aquecimento e apague as lareiras;
  • Coloque camadas de papel de jornal ou panos húmidos nas frestas das janelas e portas, para reduzir a entrada de ar;
  • Mantenha-se atento às noticias difundidas pela radio e televisão, pois estas transmitirão as directivas e conselhos das autoridades competentes.
  • Beba água da torneira e coma só os alimentos que estiverem dentro de casa. Evite consumir legumes ou fruta colhidos recentemente, até que seja difundida instrução em contrário.

 

Após o aviso de evacuação pelas entidades competentes:

  • Leve consigo os seus documentos pessoais, bem como dinheiro ou outro meio de pagamento. Deixe fechadas as torneiras de água, gás e electricidade, bem como todas as portas que dão acesso ao exterior.
  • Caso utilize a sua viatura pessoal, tenha o cuidado de fechar bem as janelas e de desligar os sistemas de climatização e ventilação. Ligue o rádio do carro e acompanhe as notícias emitidas por uma estação nacional de difusão. Siga os itinerários aconselhados pelas autoridades.
  • Não se podendo abrigar em casa de parentes ou amigos, deve dirigir-se a centros de acolhimento designados pelas autoridades de protecção civil.

A aplicação eficaz das medidas de prevenção e de protecção apresentadas anteriormente irão contribuir para a diminuição no tempo de exposição, e por conseguinte, para a menor probabilidade de surgirem efeitos imediatos e /ou a longo prazo.

Em caso de emergência, mantenha a calma, evite o pânico e siga as instruções transmitidas pelas entidades competentes.

Ligue 112!

Elisabete Afonso (TSST) e Vera Varandas (TSST)