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Pesquisa

Medicina do Trabalho

Doenças Respiratóras Associadas ao Trabalho

2011-12-06 12:55

A resposta do sistema imunitário humano a ameaças externas provocadas por agentes químicos e biológicos pode assumir a forma de reacções alérgicas nas vias respiratórias. Neste sentido, a qualidade do ambiente no local de trabalho contribui de forma significativa para o impacto destas doenças.

Devido à variação nos períodos de latência, as doenças respiratórias crónicas podem ocorrer precocemente ou apenas muitos anos depois. Uma vez iniciado o processo de doença, o trabalhador continua a estar em risco durante vários anos, mesmo depois de terminada a exposição ou evitados os factores de risco.

O SISTEMA RESPIRATÓRIO

A respiração, sendo essencial à manutenção da vida, define-se como a troca de gases entre as células do organismo e a atmosfera. Nos seres humanos, esta função é assegurada pelo sistema respiratório o qual é constitído pelas fossas nasais, boca, laringe, traqueia, brônquios e pulmões.

O tecido pulmonar é constituído por uma grande quantidade de alvéolos. Por sua vez, a parede dos alvéolos é atapetada por uma membrana respiratória ao nível da qual se processam as trocas gasosas. Neste sentido, o oxigénio (inspiração) é transportado desde os pulmões até às células através da corrente sanguínea. Nestas, o oxigénio transforma-se em dióxido de carbono, que por sua vez é transportado pela corrente sanguínea até aos pulmões e expelido (expiração). Os pulmões funcionam assim como o interface entre o meio gasoso e o meio líquido que é o sangue.

Além das trocas gasosas, o sistema respiratório exerce tarefas de defesa importantes relacionadas com a respiração, nomeadamente:

  • Transporte do ar a uma temperatura adequada;
  • Humedecimento do ar inalado;
  • Protecção contra substâncias que causem algum mal, através do espirro, tosse, filtração, ingestão ou alerta pelo sentido do olfacto.

 

Porém, estas defesas não são suficientes para reter todos os contaminantes presentes no ar respirável, existindo três causas principais pelas reacções provocadas nas vias respiratórias e nos pulmões dos trabalhadores que inalam substâncias e partículas em ambientes de trabalho:

1 - Muitas doenças conhecidas, como a asbestose pulmonar ou a silicose, são causadas por fibras e partículas que se depositam no aparelho respiratório.

2 - Vários tipos de agentes naturais e sintéticos usados nos locais de trabalho podem também causar doenças respiratórias de tipo alérgico, como a asma  profissional, rinite ou alveolites.

3 - Produtos irritantes para as vias respiratórias, tais como o fumo do tabaco no ambiente, o cloro, a poeira em geral e até o ar frio podem provocar crises em pessoas com asma. Neste caso, o indivíduo não se torna sensível a esse agente específico, embora a crise esteja relacionada com o trabalho.

ALÉRGENOS RESPIRATÓRIOS

Entende-se por alérgeno toda substância capaz de desencadear uma reacção alérgica. Os alérgenos respiratórios têm de ser identificados com as frases: R42Pode causar sensibilização por inalação” ou R42/43 Pode causar sensibilização por inalação e contacto com a pele”.

Contudo, as substâncias alérgicas mais comuns que se encontram no local de trabalho não estão como tal classificadas nem rotuladas. Muitas são de origem natural, consistindo basicamente em proteínas e agentes biológicos vulgares no nosso meio ambiente, mas também característicos de determinados processos de trabalho.

De um modo geral, algumas doenças ou intoxicações provocadas por substâncias prejudiciais à saúde manifestam-se através de sintomas que incluem:

  • Tosse,
  • Dificuldade de respiração,
  • Respiração ruidosa e ofegante,
  • Espirros,
  • Hidrorreia (corrimento anormal de líquido aquoso no organismo) e obstrução nasais,
  • Comichão e inflamação nos olhos,
  • Febre, dores musculares e dores nas articulações.

 

Estes sintomas podem surgir imediatamente após a exposição ou várias horas depois, pelo que não é óbvia a sua relação com as actividades desenvolvidas no  local de trabalho.

São necessárias exposições repetidas, quer sejam de baixa concentração e longa duração ou de forte concentração e curta duração, para que a doença se desenvolva. A partir da altura em que a pessoa se torna sensível, mesmo o contacto com pequenas quantidades da substância pode desencadear os sintomas. Estes sintomas melhoram frequentemente quando o trabalhador está longe do local de trabalho.

OBRIGAÇÕES DA ENTIDADE EMPREGADORA

1. Avaliar os riscos: Identificar os perigos e quais os que, sendo potencialmente causadores de doença, são utilizados ou produzidos pela actividade desenvolvida no local de trabalho. Determinar quem pode ser afectado e de que forma.

2. Eliminar ou substituir: Evitar a utilização e a exposição aos agentes alérgenos, substituindo-os por substâncias menos perigosas. Os agentes sensibilizantes podem causar sensibilização alérgica em concentrações inferiores aos valores-limite de exposição ocupacional estipulados. Mesmo uma fraca exposição a agentes sensibilizantes no local de trabalho pode dar origem a sintomas respiratórios alérgicos em trabalhadores que já têm problemas de sensibilidade aos agentes químicos.

3. Prevenir a exposição: Se a substituição não for possível, dever-se-á diminuir a concentração, a duração e a frequência da exposição, bem como o número de trabalhadores expostos. Decidir se as medidas existentes são adequadas ou se deverão ser tomadas medidas adicionais.

4. Elaborar um plano de protecção respiratória:

  • Gerir as emissões na origem.
  • Evitar processos de trabalho com produção de poeiras, aerossóis ou vapores.
  • Utilizar substâncias sob uma forma menos perigosa, por exemplo granulados ou grudes em vez de pós ou líquidos.
  • Utilizar sistemas fechados de enchimento e transferência, por exemplo de substâncias em forma de pó ou fibras.
  • Controlar as emissões por meio de encapsulamento, ventilação, exaustores de fumos e outras medidas eficazes utilizadas no local de trabalho.
  • Elaborar um plano de manutenção e limpeza com indicação da periodicidade, dos métodos e do equipamento de limpeza. Utilizar processos húmidos ou aspiradores em vez de vassouras.

 

5. Usar equipamento de protecção individual (EPI) das vias respiratórias, além de outras medidas de controlo aplicáveis, se a exposição não puder ser prevenida de outro modo e sempre em conformidade com a legislação comunitária. Seleccionar equipamento preventivo mais adequado a cada tarefa ou tipo de exposição profissional. Verificar as orientações do fabricante para assegurar que é seleccionado o equipamento apropriado.

Cada equipamento de protecção das vias respiratórias deverá ser usado por um trabalhador apenas e nunca deverá ser partilhado. Em situação normal de uso, o equipamento deverá ser mantido em boas condições, limpo após cada utilização, substituídos os filtros quando necessário e verificar o material para determinar a existência de danos de origem técnica ou outra.

Estabelecer procedimentos escritos relativos à regularidade com que a limpeza, desinfecção, armazenagem, inspecção, reparação, eliminação e manutenção  dos equipamentos de protecção
individual deverão ser realizadas.

6. Informar e formar os trabalhadores sobre:

  • Os alérgenos respiratórios a que estão expostos.
  • As práticas seguras de trabalho.
  • O uso adequado dos equipamentos de protecção individual das vias respiratórias, incluindo a sua colocação e remoção, as restrições aplicáveis ao seu uso, a manutenção, bem como a quem devem comunicar problemas respiratórios.
  • Monitorizar a exposição e os problemas de saúde com regularidade reavaliando-os, sobretudo em caso de alteração dos métodos de trabalho. Deverão fazer-se exames médicos, caso sejam detectados sintomas respiratórios provavelmente relacionados com o trabalho.

 

7. Consultar os trabalhadores e/ou os seus representantes:

  • Ao avaliar os riscos, as exposições e os problemas respiratórios que ocorrem nos locais de trabalho.
  • Ao substituir substâncias perigosas.
  • Ao seleccionar o equipamento de protecção individual.
  • Sobre os resultados da monitorização, incluindo a vigilância médica.

 

Elisabete Afonso (TSST)