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Pesquisa

Medicina do Trabalho

Prevenção de Infeções Associadas aos Cuidados de Saúde (IACS)

2014-08-08 12:56

De acordo com um estudo divulgado, no ano de 2013, pelo Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças, a cada dia que passa, um em cada 18 doentes internados nos hospitais europeus contrai uma infeção hospitalar.

Em Portugal, a taxa global de infeções ronda os 10,8%, o que significa que pelo menos um em cada dez doentes é infetado aquando da sua passagem pelas unidades de saúde.

As infeções hospitalares são mais frequentes entre os doentes internados nos cuidados intensivos, sendo mais comuns as respiratórias (como a pneumonia), seguidas das infeções urinárias e da corrente sanguínea.

DEFINIÇÃO DE IACS

A Infeção Associada aos Cuidados de Saúde (IACS), anteriormente conhecida como infeção hospitalar, é uma infeção adquirida pelos doentes em consequência dos cuidados e procedimentos de saúde prestados e que pode, também, afetar os profissionais de saúde durante o exercício da sua atividade. Inclui também infeções adquiridas no decurso da prestação de cuidados, mas que se manifestam após a suspensão dos mesmos.

CONSEQUÊNCIAS DAS IACS

• Agravamento do estado de saúde do doente;

• Aumento do tempo de internamento;

• Sequelas e morte;

• Custos económicos adicionais elevados no sistema de saúde;

• Custos pessoais e sofrimento físico e emocional nos doentes e famílias.

COMO SE ADQUIREM AS IACS?

Qualquer pessoa internada em ambiente hospitalar para tratamento médico está sujeita a contrair uma infeção, a qual está diretamente relacionada com o tempo de internamento e os procedimentos médicos a ser realizados.

As Infeções Associadas aos Cuidados de Saúde podem ser causadas por bactérias, vírus, fungos e parasitas, sendo as duas primeiras as mais prevalentes.
Os microrganismos encontram-se no ambiente das unidades de saúde e nos próprios doentes (pele, vias respiratórias e trato gastrointestinal), sendo considerados parte da sua flora normal. A sua transmissão pode ocorrer das seguintes formas:

  • Contacto físico direto entre a fonte e o doente, por exemplo, contacto pessoa-pessoa.
  • Contacto indireto, ou seja, a transmissão do agente infecioso da fonte para o doente ocorre de modo passivo através de um objeto (ex.: uso de utensílios inadequadamente descontaminados/ esterilizados).
  • Via aérea – os microrganismos estão disseminados no ar e podem ser inalados por um hospedeiro suscetível dentro da mesma sala ou a longa distância do doente contaminado.
  • Transmissão por veículos comuns - um material contaminado, por exemplo, alimentos, água ou medicamentos, pode ser o ponto de partida para a transmissão do agente microbiano aos doentes.


FATORES QUE CONTRIBUEM PARA O DESENVOLVIMENTO DAS IACS

• Sobrelotação das unidades de saúde;

• Não afetação de profissionais exclusivos para cuidar dos doentes infetados e colonizados;

• Transferências frequentes de doentes de uma enfermaria para outra;

• Aglomeração de doentes imunodeprimidos em unidades específicas (unidades de cuidados intensivos e intermédios).


PREVENÇÃO DAS IACS

• Adoção de boas práticas nos procedimentos invasivos, como por exemplo, utilização de técnica asséptica (técnica que permite a criação de ambientes esterilizados).

• Limpeza, desinfeção e esterilização dos dispositivos médicos.

• Uso racional de antimicrobianos.

• Administração segura de injetáveis.

• Limpeza, desinfeção e esterilização de todos os artigos e equipamentos antes de serem utilizados em outro paciente.

• Descontaminação do ambiente após a alta do paciente.

• Adoção de boas práticas na utilização e eliminação de cortantes e/ ou perfurantes.

• Encaminhamento correto do doente após exposição.

• Manutenção de um correto programa de vacinação.

• Isolamento e colocação dos doentes colonizados / infetados conforme a via de transmissão.

• Uso de luvas e avental quando há risco de contato com fluídos corporais do doente.

 

IMPORTÂNCIA DA LAVAGEM DAS MÃOS

Na maioria dos casos, as mãos dos profissionais de saúde constituem o veículo mais comum para a transmissão de microrganismos da pele do doente para as mucosas (ex.: trato respiratório) ou para locais do corpo habitualmente estéreis (ex.: sangue, líquido céfalo-raquidiano, líquido pleural, etc.) e de outros doentes ou do ambiente contaminado. Na ausência de cuidados de higiene das mãos, quanto maior a duração da prestação de cuidados, maior o grau de contaminação das mesmas.

Quando lavar as mãos?

  • Antes de comer ou manusear os alimentos.
  • Após ter utilizado a casa-de-banho.
  • Após assoar o nariz, tossir ou espirrar.
  • Após tocar em animais ou nos seus dejetos.
  • Após manusear resíduos.
  • Após mudar fraldas.
  • Antes e após tocar em doentes ou feridas.
  • Antes e após ir de visita a uma enfermaria (lembrar que também estão disponíveis soluções-alcoólicas para as mãos como alternativa).

Os Profissionais de saúde devem ainda lavar as mãos nas seguintes situações:

  • Sempre que as mãos estejam visivelmente sujas.
  • Antes e após contactar com os doentes.
  • Após contactos contaminantes (exposição a fluidos orgânicos).
  • Após contactar com materiais e equipamentos que rodeiam o doente.
  • Antes de técnicas assépticas (recomenda-se a desinfeção das mãos).
  • Antes e após usar luvas.

 

COMO LAVAR AS MÃOS?

Elisabete Afonso (TSST)