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Pesquisa

Medicina do Trabalho

Equipamentos de Proteção Individual - A Última Linha de Defesa Contra o Acidente

2014-02-12 12:58

Todas as profissões apresentam algum nível de risco para a saúde e bem-estar de quem as executa. Maior ou menor, este risco pode ser eliminado ou, pelo menos, reduzido ao mínimo, pela aplicação de diversas medidas de segurança, que podem ser divididas em três etapas:

  • Medidas organizacionais: avaliar se a atividade de risco é realmente necessária; substituir o que é perigoso pelo que é isento de perigo ou menos perigoso (substituir máquinas, materiais ou outros elementos causadores de perigo por outros meios alternativos); fornecer formação adequada aos trabalhadores; etc.
  • Proteção coletiva: métodos para proteger o maior número de trabalhadores, em conjunto, de um perigo comum (por exemplo, controlar a exposição a vapores através de sistemas de ventilação local em vez de recorrer a máscaras respiratórias).
  • Equipamentos de Proteção Individual: (vulgo EPI), que devem ser utilizados quando os riscos existentes não puderem ser evitados ou suficientemente limitados pelas medidas anteriores.

 

Os EPI são uma ferramenta útil mas que deve ser bem estudada para que a sua ação seja efetivamente preventiva e não prejudicial ao trabalhador quando os utiliza, quer por pôr em perigo a sua condição ou por não permitir que execute com eficiência e conforto a sua tarefa.

É de notar que os EPI não são um substituto das medidas de prevenção e proteção coletiva mas sim o seu complemento, sendo um instrumento fundamental para diminuir a sinistralidade ao “transformarem” potenciais acidentes em incidentes, reduzindo assim o potencial de lesão do trabalhador.

Existindo diferentes tipologias de trabalhos a efetuar, diferentes formas de os executar e diferentes meios utilizados para tal efeito, é necessário proceder-se a uma identificação não só dos diferentes tipos de EPI existentes e dos diferentes materiais ou matérias que protegem, mas também, e em primeiro lugar, conhecer que zonas do corpo há a proteger e para as quais existem EPI.


PROTEÇÃO DA CABEÇA E FACE:

Os capacetes podem proteger de impactos na cabeça, lesões de perfuração, e lesões elétricas como as causadas por queda ou objetos voadores, objetos fixos, ou contacto com condutores elétricos.

Além dos óculos de proteção, os EPI, como capacetes especiais ou blindagens, óculos com proteção lateral e proteção para o rosto podem proteger trabalhadores de fragmentos perigosos ou voadores, lascas grandes, faíscas quentes, radiação ótica, derrame de metais fundidos, bem como objetos, partículas, areia, vapores, pós e faíscas.

Usar tampões ou protetores auriculares pode ajudar a prevenir danos auditivos. A exposição a altos níveis de ruído pode provocar perda auditiva irreversível ou deficiência além de stress físico e psicológico.

Quando não é possível a instalação de um sistema de extração, ou a eliminação de materiais que ponham em risco a saúde respiratória, os trabalhadores devem usar máscaras de proteção respiratória que minimizem os efeitos de saúde adversos causados por respirar ar contaminado como pós perigosos, névoas, fumos, vapores, gases ou líquidos pulverizados. As máscaras respiratórias geralmente cobrem o nariz e a boca ou todo o rosto ou cabeça e ajudam a prevenir doenças e lesões.

 

PROTEÇÃO DOS MEMBROS SUPERIORES:
Os trabalhadores expostos a substâncias perigosas através da absorção pela pele, cortes severos ou lacerações, abrasões severas, queimaduras químicas, queimaduras térmicas e temperaturas extremas perigosas, beneficiarão do uso de luvas de proteção.

 

PROTEÇÃO DOS MEMBROS INFERIORES:
As botas/sapatos de segurança podem ajudar a prevenir lesões ao proteger trabalhadores de perigos como queda de objetos afiados, superfícies húmidas e escorregadias, metais fundidos, superfícies quentes e perigos elétricos.

 

PROTEÇÃO DE OUTRAS PARTES DO CORPO:
Em alguns casos, os trabalhadores devem proteger a maior parte do corpo contra perigos no local de trabalho, como exposição ao calor e radiação além de metais quentes, líquidos escaldantes, fluídos corporais, materiais perigosos ou dejetos e outros perigos. Além de roupa resistente ao fogo e algodão resistente ao fogo, os materiais usados nos EPI que cobrem todo o corpo incluem borracha, couro, sintéticos e plástico.

 

CRITÉRIOS A CONSIDERAR NA ESCOLHA DO EPI:

Todos os EPI comercializados têm de obedecer a diversos requisitos. Estes servem para proteger tanto o fabricante que se encontre certificado para produzir determinado EPI, como para o comprador, que assim tem possibilidade de efetuar uma compra segura e dentro dos parâmetros legais existentes.

As informações obrigatórias devem responder aos requisitos de marcação CE, sendo uma obrigatoriedade para qualquer fabricante de EPI incluir nos seus produtos informação, redigida na língua portuguesa, acerca de:

  • Nome e endereço do fabricante;
  • Marca, modelo e referências do EPI;
  • Instruções de armazenamento, utilização, limpeza, manutenção, revisão e desinfeção;
  • Resultados obtidos em ensaios de conformidade efetuados para determinar os níveis ou classes de proteção do EPI, somente em casos em que tal é aplicável;
  • Acessórios utilizáveis com EPI e, mais uma vez somente em casos em que é aplicável, características de peças sobresselentes;
  • Classes de proteção adequadas a diferentes níveis de risco e aos limites de utilização correspondente;
  • Data ou prazo de validade, ou se for aplicável, dos seus componentes;
  • Género de embalagem apropriado para transporte do EPI;
  • Significado de marcações, símbolos ou pictogramas apostos no EPI.

 

Para além de um estudo prévio, que deve envolver os trabalhadores na escolha do EPI mais adequado à tarefa a executar, devem sensibilizar-se os trabalhadores que têm a necessidade de utilização dos EPI para:

  • Utilizarem o equipamento de proteção de forma adequada;
  • Estarem cientes de quando o EPI é necessário;
  • Saberem que tipo de equipamento de proteção é necessário;
  • Entenderem as limitações do EPI na proteção de trabalhadores contra lesões;
  • Colocar, ajustar, vestir e retirar EPI devidamente;
  • Manter o equipamento de proteção de forma adequada.

 

A maior ferramenta para a diminuição dos acidentes de trabalho e para a maior promoção da saúde e segurança dos trabalhadores é a consciencialização. Só com o bom senso de empregadores e trabalhadores poderemos atingir melhor qualidade de vida para todos.


Daniel Ferreira (TSST)


Fontes:
• http://www.segurancaonline.com/gca/?id=1137
• http://www.cenfim.pt/artigos/2012/equipamentos_protecao_individual.pdf