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Pesquisa

Medicina do Trabalho

Dermatites Relacionadas Com o Trabalho - Causas e Prevenção

2013-05-06 12:28

As dermatites de contacto representam a principal forma de alergia da pele, causada pelo contacto direto com substâncias do exterior. Surgem, no mínimo, um a dois dias após o contacto e são necessárias várias exposições até o indivíduo se tornar alérgico, sendo a doença profissional registada com maior frequência. Apesar de, na maioria dos casos, não produzirem quadros clínicos considerados graves, as dermatites de contacto são, com frequência, responsáveis por desconforto, prurido, ferimentos, traumas, alterações estéticas e funcionais que interferem na vida social e profissional do indivíduo.


CAUSAS

A dermatose (ou dermatite) ocupacional consiste num conjunto de alterações ocorridas a nível da pele que são direta ou indiretamente causadas, condicionadas, mantidas ou agravadas por agentes presentes na atividade profissional ou no ambiente de trabalho.

Podem ser determinadas pela interação de dois grupos de fatores:

Predisponentes ou causas indiretas:

  • Idade: os trabalhadores jovens são menos experientes, havendo maior probabilidade de adotarem práticas de trabalho inadequadas na manipulação de agentes químicos, potencialmente perigosos para a pele.
  • Sexo: homens e mulheres são igualmente afetados. Contudo, as mulheres podem apresentar quadros menos graves e de remissão mais rápida.
  • Etnia: indivíduos provenientes dos continentes asiático e africano, possuem uma pele mais resistente à ação da luz solar, bem como à penetração de agentes químicos e outras substâncias.
  • Clima: as condições de temperatura e humidade influenciam o aparecimento de dermatoses. Do mesmo modo, o trabalho ao ar livre é frequentemente sujeito à ação da luz solar, picadas de insetos, contato com vegetais, exposição à chuva e ao vento, bem como a agentes diversos potencialmente perigosos para a pele.
  • Antecedentes mórbidos e dermatoses concomitantes: indivíduos portadores de algum tipo de dermatite podem agravar o seu estado clínico quando expostos a substâncias alergénicas.
  • Condições de trabalho: trabalho em posição ortostática; presença de vapores, gases e poeiras acima dos limites de tolerância; ausência de iluminação, ventilação apropriada e instalações sanitárias/ vestiários adequados e limpos próximos aos locais de trabalho; não utilização de proteção adequada, ou sua utilização incorreta, ou ainda o uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI) de má qualidade e a não observância, pelo trabalhador, das normas de higiene e segurança padronizadas para a atividade que executa podem ter papel importante no aparecimento de dermatoses ocupacionais.

Causas diretas:

  • Agentes biológicos: os agentes biológicos mais comuns são as bactérias, fungos, leveduras, vírus e insetos. As más condições de higiene pessoal, associadas aos traumatismos e ferimentos de origem ocupacional, podem ser fatores agravantes, causando complicações bacterianas.
  • Agentes físicos: os principais agentes físicos capazes de produzir dermatoses ocupacionais são calor, frio, eletricidade, radiações ionizantes e não-ionizantes, agentes mecânicos, vibrações, micro-ondas e laser.
  • Agentes mecânicos: as dermatoses produzidas por agentes mecânicos, pressão, fricção ou atrito vão ocasionar nas áreas de contato, hiperceratoses (espessamento da camada córnea da epiderme). A resposta cutânea está condicionada a fatores raciais, genéticos e a dermatoses preexistentes.
  • Agentes químicos: Dividem-se em irritantes (cimento, solventes, óleos de corte, detergentes, ácidos, etc.) e alérgenos (aditivos da borracha, níquel, cromo, cobalto, resinas, etc.).


SINAIS E SINTOMAS

As primeiras manifestações clínicas da dermatite de contacto são:

  • Comichão;
  • Sensação de pele quente (queimadura);
  • Coloração avermelhada na zona de contacto (eritema).

 

Habitualmente, estes sinais surgem nos locais com maior suscetibilidade de exposição (mãos, face, pescoço, braços e pés), podendo disseminar-se para áreas corporais distantes do foco inicial. No diagnóstico e estabelecimento do tratamento adequado às dermatoses ocupacionais, confirmadas ou suspeitas, é importante considerar os seguintes aspectos:

  • Quadro clínico do trabalhador;
  • História de exposição ocupacional observando-se concordância entre o início do quadro e o início da exposição, bem como a localização das lesões em áreas de contato com os agentes suspeitos;
  • Melhoria dos sintomas com o afastamento e agravamento dos sintomas com o retorno ao trabalho;
  • Teste epicutâneo positivo, nos casos de dermatites de contato por sensibilização.


PREVENÇÃO E PROTEÇÃO DOS TRABALHADORES

• Reconhecimento das atividades e locais de trabalho onde existam fatores de risco potencialmente causadores de doença.

• Identificação dos danos potenciais para a saúde, decorrentes da exposição aos fatores de risco identificados.

• Substituição do agente, substância, ferramenta ou tecnologia de trabalho por outro mais seguro, menos tóxico ou lesivo.

• Isolamento da máquina, agente, ou substância potencialmente lesiva, através de enclausuramento do processo, suprimindo ou reduzindo a exposição.

• Implantação e manutenção preventiva dos sistemas de ventilação local e monitorização sistemática dos agentes agressores.

• Adoção de sistemas de trabalho operacionais e seguros, através da classificação e rotulagem das substâncias químicas segundo propriedades toxicológicas e toxicidade.

• Diminuição do tempo de exposição e do número de trabalhadores expostos.

• Informação e comunicação dos riscos aos trabalhadores.

• Utilização de equipamentos de proteção individual, especialmente óculos e máscaras adequadas a cada tipo de exposição, de modo complementar às medidas de proteção coletiva.

• Existência e acesso fácil a água corrente, quente e fria, com chuveiros, torneiras, toalhas, e agentes de limpeza apropriados.

• Disponibilização de chuveiros de emergência em ambientes onde são utilizadas substâncias químicas corrosivas.

• Disponibilidade de sabões ou sabonetes neutros e de creme hidratante para ser usado nas mãos, especialmente se é necessário lavá-las com frequência.

• Vestuário de proteção com a finalidade de bloquear o contato da substância com a pele (a roupa deve ser escolhida de acordo com o local da pele que necessita de proteção e com o tipo de substância química envolvida).

• O vestuário contaminado deve ser lavado na própria empresa, com os cuidados apropriados. Em caso de contratação de empresa especializada para esta lavagem, devem ser tomadas medidas de proteção adequadas ao tipo de substância também para esses trabalhadores.

• Elaboração de propostas para as medidas a serem adotadas na promoção e proteção da saúde dos trabalhadores (medidas de controle médico e monitoramento biológico dos trabalhadores expostos).

• Orientação e informação dos trabalhadores e empregadores.    

 

Elisabete Afonso (TSST)